Íntima
- Bia Blackman

- 21 de ago.
- 1 min de leitura
Li em algum lugar
que intimidade
não é sobre tempo
Não, não é só sobre tempo,
mas é tempo também.
Tempo tão concreto
como um dia de vinte e quatro horas,
e tão relativo
como a sensação demorada
de um domingo,
um abraço,
uma dança,
uma conversa.
Intimidade
é com o tempo.
Não só nesse tempo grande
que toma espaço
pra frente.
Mas o tempo das miudezas.
Cada toque,
olhar,
presença
é tempo pequeno
que expande
pra dentro.
Não passa correndo.
Abre caminho
sob minha pele.
Intimidade
não é sobre tempo,
mas é tempo também,
quando perco a noção
dos segundos
que se expandem
no meu coração
quando olho nos olhos
e desponto sorriso,
quando falo de íntimos
pensamentos
e sentidos,
quando faço carinho.
Tempo não marcado,
relógio parado
Vejo o inevitável
passar do tempo
enquanto compartilho
segundos.
Não sei se muito
ou se pouco
se rápido
ou devagar
não tem medida certa,
ou minutos contados
nesses encontros.
Intimidade
não é só sobre tempo,
é com o tempo.
Não se pode fugir
dos segundos
que passam
durante a troca
de íntimas palavras,
íntimos toques
íntimos olhares.
Nem da vontade
de que esses segundos
cresçam relativos,
como a água
quando pinga
e escorre sobre o
concreto.
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