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Ao Que Me Lembro

  • Foto do escritor: Izabela Brettas
    Izabela Brettas
  • 21 de ago.
  • 2 min de leitura

Quando cheguei de volta a Brasília, carreguei comigo a frustração de um caderno vazio

por algumas memórias que já tinha deixado pelo caminho. Para ser mais justa,

pousaram na capital apenas as duas primeiras páginas desinteressantes registradas à mão

do que viria a ser um dos anos mais marcantes da minha juventude. Outro dia, pouco

mais de dez anos desse caderno, que hoje já se acumula ao fundo da gaveta junto a

outros caderninhos de não-memórias, um amigo me perguntou “qual foi a coisa mais

louca que você se lembra de ter feito? Mais louca podendo estar no rol dos

acontecimentos irresponsáveis, dos aleatórios, dos inesperados...”. Eu travei. Parece

que todos aqueles pouco mais de 365 dias de páginas em branco, ou os outros tantos que

vieram depois e antes não foram suficientes para que eu respondesse algo à altura do

que a pergunta merecia. Talvez porque, pra mim, a resposta merecesse queixos caídos e

olhos arregalados e eu não saberia qual das minhas histórias poderia entregar essas

reações. Mas onde estavam elas? Onde eu poderia encontrá-las se nem sequer no meu

caderno eu consegui transcrever. Logo eu, que sempre fui da palavra no papel, do

caractere atrás de caractere. Nos últimos tempos, e não só pela pergunta do meu amigo,

mas por todo o esquecimento que temos vivido, visto e falhado como sociedade, é

recorrente a minha reflexão sobre a memória. O que de fato importou naqueles dias? Do

que quero lembrar? Ou do que não quero? Talvez eu não me importasse tanto em

registrar por pura preguiça. Ou, pior, as loucuras que vivi talvez não implicassem em

queixos caídos. Ontem, decidi abrir uma pasta de fotos esquecidas datadas também do

meu intercâmbio. Ela não estava vazia. Sequer seria possível em tempos onde cliques

são mais fáceis do que piscar os próprios olhos. Através das imagens, busquei

desesperadamente, penso, memórias que me relembrassem da maior loucura que já fiz.

 
 
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