Calanga
- Ana Mago

- 21 de ago.
- 1 min de leitura
Eu sou calanga do cerrado
Moro num retângulo quadrado
Cheio de curvas femininas
Com árvores nas avenidas
Cheiro de Divino
E outras festas queridas
Fui forjada no barro do sertão
Em meio à seca e à fome
E criada na gema do Goiás
Onde as cachoeiras trazem a paz
Onde sempre aceitamos mais um
E assim chegamos a milhões
Onde o fogo que queima minhas cascas grossas
Não poupa
Meu olhos claros, nem minha pele cristalina
Lá no Pombal era pura adrenalina
Sou calanga do cerrado
Aqui o calor queima forte
Não tem mar, mas tem o Lago Paranoá
Onde o Vale não é tudo
Mas tem crença de verdade
Aqui tem catira e cavalgada
E a Catedral lá longe
Espreitando os ministérios da cidade
Ainda tem o Morro da Capelinha
Onde nunca fizeram a tal da Igrejinha
É bom ir lá rezar e ver o pôr do sol
Ver o Cristo, triste, ser chicoteado
Como o pobre, todo dia
Pelo Congresso pisoteado
Quando não dá mais
A solução é o sertão de Guimarães Rosa
Em Arinos, vou ver meu pai cantar
E a alegria volta em meu coração a reinar
Mas sou calanga do cerrado
É aqui que me encontro
Vou vivendo a vida
Que os Candangos me deram
Estilo Arte Severina
Com orgulho e alegria
Sou calanga do cerrado
E você, o que seria?
.png)


