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Ninhada

  • Foto do escritor: Juliana Zancanaro
    Juliana Zancanaro
  • há 7 dias
  • 1 min de leitura

Eu teria virado mulher de sal

Eu teria queimado na fogueira

Eu teria sido apedrejada

Eu teria sido expulsa

De alguma forma, fui também

Sinto a secura, o calor, a dor e o abandono

Mas tive sorte de descender da sobrevivente desobediente da ninhada

Aquela que foi dada a uma matilha, protegida e criada como filha

Por ela e por todas as outras,

devo fazer o sal de tempero, o fogo de energia,

A pedra de alicerce e a expulsão de impulso.

Por elas, devo aninhar novas crias e correr os dias,

aprender a recuar sem acatar;

atacar sem fazer sangrar

Por elas, aprendo palavras,

domo a fúria para ser motor, não torpor, não me implodir

Sorrir, só por gozo legítimo

Que junto com a música, a dança

Sejam alimento pra alma

Que seja a calma o alento

não o entrave da vida

 
 
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