Olugbala
- Meimei Bastos

- há 7 dias
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sentada no ônibus
eu o vi
descendo a Catedral entre o grau 15° e 20° da cidade sonhada.
ele parecia um raio de Sol nas
minhas vistas, miragem,
sonho. ainda que triste o cenário.
o chinelo gasto, quase descalço no asfalto pelando quente
atravessava o mar de carros.
os vidros de súbito fechavam.
ele olhava como quem diz: perdoe-os,
eles não sabem o que fazem.
parecia carregar
a caixa dos milagres do mundo.
oferecia-os como se fossem balinhas, doces.
cruzou a rua,
contou as moedas;
o vi repartir a água
e o salgado com seus iguais.
sorriam como se fosse banquete,
como se a dor jamais fosse voltar.
senti no peito
um desejo tremendo
de pô-lo em meus braços,
de carregá-lo no colo,
de acariciar seu rosto e massagear seus pés
pequenos e cansados.
pedir-lhe perdão
à inocência roubada.
eu vi
no semáforo
uma luz.
era Jesus,
e ele era um menino preto.
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