repetição
- Pâmela Rodrigues

- há 7 dias
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chorar a própria ignorância
se desculpar por ela
tomar consciência do
poço raso do seu vocabulário
uma poça d’água
da chuva de lágrimas
do que ainda falta
é líquida a saudade do que
ainda não se aprendeu
é necessário
o abraço adiantado
da chegada do que vai me ensinar
a voz de minha avó
que nunca soube escrever
mas nasceu sabendo cuidar
é de afeto a sabedoria da água
em que posso beber
as palavras fáceis
estão sempre
servidas à mesa
para contar verdades
que são duras
difíceis de mastigar
descem resistentes pela garganta
marcando o caminho do esôfago
enchendo a boca
do gosto de sangue
sei da vida
o que minhas mulheres
contam com
vocábulos repetidos
dos quais
o mais frequente
é
perder
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