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Sereia

  • Foto do escritor: Ana Eliza Correia
    Ana Eliza Correia
  • 21 de ago.
  • 1 min de leitura

hoje eu vi a sereia. meus olhos se

abriram quando a avenida acabou: era

como se o ônibus fosse um rio, corremos

os dois para o mar.

alegria lembrar de mim, menina, na

primeira vez que aprendi a boiar. foi

ali, eu me lembro bem. o mar não se-

renou na primeira vez que pisei na

areia. o mar sorriu.

a sereia que mora em mim se rende

quando vê essa outra. eu mulher me

rendo à bóia que fiz de meu corpo de

13 anos. hoje era como se eu me pegasse

de volta, me ancorando nessa

imagem que é quase uma saudade.

se você não entardeceu por lá, não

há de saber o quanto é bom ter os olhos

do mar pousando azuis sobre seu

coração. é pescador, é barco, é rede na

areia, é gente preta e solta. é furdunço,

é arerê. é retorno das praias outras,

é saída da Lagoa, é peixe fresco, é

brisa. mesmo sem água de côco, sem

esteira de vime, você se ouve por lá.

é pedra.

é pedra que faz zuada.

é morada da sereia.

é jangada.

 
 
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