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Severina Flor do Sertão

  • Foto do escritor: Ana Mago
    Ana Mago
  • 21 de ago.
  • 2 min de leitura

Homenagem a Severina


De pequena já brincava

Fazendo imaginação

Bichinhos pequenos montava

Espalhava pelo chão

No seu sonho de criança

Não sabia a importância

Daquela bela infância

Para o que viria a ser

Respeitável figura

De patrimônio e cultura

De uma arte pura

Que vivia a florescer.

E o tempo passava

Nas festas juninas dançava

Rodopiava e sorria

O leão nos olhos de céu

Sob a firmeza do coronel

No giro do carrossel

O menino, Chico

Seu coração conquistou

O casório foi na roça

Sob uma linda palhoça.

Mesmo com tanto amor e doçura

A vida ficou dura

Com o tempo a derreter

Passou necessidades e tristezas

Quando do seu amor o encanto

De quatro filhos viu morrer.

Contra todas a negativas

Vingaram nove narrativas

Na dureza do Sertão

O primeiro, Sebastião

O segundo foi Garcia

Sinônimos de muita alegria.

Davi

Maso

Júlio

Casa cheia de felicidade e barulho

Almair

Hélio

Célia

Adélia

Mais quatro para completar

De fortaleza gerados

Prontos para brilhar.

Outros quatro pro céu voaram

As asas dos anjos levaram

Viraram poesia.

E o tempo a derreter

No calor da rudeza

No pau de arara

Na lavoura e na roça

Na alegria e na tristeza

Parece redundante, contudo era beleza.

Severina, Chico, Amor

E nove para criar

Faltava tudo

Só o sonho não podia faltar

E nunca faltou

Pode até não ter rima

Mas florescia a Arte Severina

Cortava algodão e fazia

Gatos, coelhos e galinhas

Na rua ia vender.

O povo admirava

Tanta inteligência e harmonia

Cada vez mais arte ela fazia.

Porém nenhum deles sabia

Que essa tanta beleza

Por detrás escondia

Nove boquinhas a dar de comer.

Trabalhava noite e dia

O pedal da máquina rangia

Chico, o guerreiro, só tinha a agradecer

Os pequenos crescendo

A vida continuava

O lixo reciclava

Uma linda peça virava.

A dureza nunca a abandonou

A leveza da arte também não.

Pássaros, oásis, ursos e leão

Tudo se transformava em sua mão.

Os olhos tão ágeis

O sorriso tão frágil

A firmeza no coração

Quebrada apenas pelo “vó” dos netinhos.

Influência deixou e deixará com certeza.

Faltam-me palavras

Para tanta grandeza.

No entanto não faltam

Meu amor e admiração

Por sua força imortal.

Como você, não há nada igual

Severina, minha flor

Tu te resumes em poesia

A mais linda que já vi um dia

A mais cheia de puro amor.

Dos teus olhos quero a alegria

Da criança que um dia

O criador desenhou. 


 
 
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