T de Etapas

(Poema em duas vozes uma principal e outra os ecos que ressoam)
Um dia me deram um nome (Pedro, Tiago Abner)
Nunca me deram nada que eu pedi (Gabriel, Gustavo, Mateus, Isac)
Então me deram um nome... (Isaías, Paulo, Rafael, Juliano)
Nada!
E o nome veio com tudo que um nome vem
Pronome, gênero, forma, norma, quadrado,
Padrão, cis...
Varão!
O nome se tornou tudo!
E eu me tornei teeeensa!
Mas foi aí que um exu aliado dos anjos
Sussurrou em meu ouvido:
- (Acorda Travesti)
Foi quando transbordei...
São tantas etapas eu subi escadas, com você nas costas sempre preparada, eu ando
armada, são tantas potências. E você não viu nada...
Mas calma, calma que hoje o culto é de libertação.
Sou filha da puta, sou neta de tantas
Ciganas e Anjas que de peito aberto
Abriram caminho deserto!
Eu ando no certo plantando e colhendo afeto
Esse pronome não define o meu sexo!
São tantas etapas pra me amar
As feridas que estou a curar
Transafeto a me salvar
E os Orixás a me guiar
Despacho com Exu na encruza
Defendo aquilo que é meu
Acendo vela, não bato panela
A luta é na rua você não entendeu
Despacho com Exu na encruza
Travestis conquistando o que é seu
Na vida, favela, aqui não é tela
A luta é na rua se você não entendeu!
Já diziam minhas ancestrais
Sem amor próprio você fica para trás
Sem Ori você fica sem caminho
Sem Orixá sem destino e
Se não correr você fica para trás
Guiada por minha mãe (Ye ye ô)
Protegida por meu pai (Laroyê)
Corro na frente, ouvindo a minha gente
Me colocaram em bolhas
Tentaram me encaixar....
Tentaram me matar!!!
O meu caminho não é daqui
Pego minha nave e vou pra lá
A minha paz não vou lhe dar.
Porque sou filha da puta,
sou neta de tantas Ciganas e Sebastianas
que de peito aberto
Abriram caminho deserto
Eu ando no certo plantando e colhendo afeto
E esse pronome não define o meu sexo!
Sexo sideral, sexo animal, sexo, sexo cyber anal
Sexo, sexo, sexo
Sexo angelical, sexo laboral
Sexo!
.png)


